February 8th, 2009

A serena e materna Loba do Capitólio (séc. V a.C.), um dos primeiros espécimes da arte romana, quantas evocações desencadeia. A memória parece que salta, sem se conter, a deslindar os caminhos da vida e a desfibrar ou desfiar os novelos do mito. As ‘lobas de Roma’: o mito e vida nas encruzilhadas e silêncios, nas luzes e sombras, nas dobras e passos de pessoas e palavras. Read the rest of this entry »
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January 30th, 2009
Visita a Florença – ainda que rápida e apenas a alguns locais seleccionados, ainda que não passe de revisita saudosa – arrasta sempre consigo íntimas emoções. Florença a mágica cidade do Arno, de tantos fascínios.
Começámos pela visita panorâmica da Praça de Miguelângelo sobre a cidade. Uma surpresa! A cidade estende-se calma e colorida, de manchas de branco, de verdes matizados, do avermelhado dos telhados. A placidez matutina ainda não acordou nos seus poros e veias. Ou a vida que percorre e fecunda as ruelas estreitas, esconde-se dos olhares distraídos de quem de longe a contempla?

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January 29th, 2009
Um fascínio Roma! Merece bem que lhe beijem o solo todos os que a visitam, tanto fez pela Europa, tanto nos legou. Um mundo de imagens e cores, de figuras históricas e criações lendárias, de obras de arte e produções literárias, de linhas e volumes.
A muita amada Roma, a Urbe que em si carrega e acumula tantas emoções, tantas palavras, tantos gestos, tantas vozes, tantas imagens, tantas cores desfiadas na memória, eterna dobadoira que não pára nem domar se deixa: Eneias a subir o Tibre até ao reino arcádio de Evandro; Reia Sílvia e os seus amores com Marte, diz a tradição, com; a loba e os gémeos, o desentendimento trágico na fundação da cidade; o rapto das Sabinas que boas filhas e ternas mulheres amantes levam à paz, à concórdia e à união de povos; Miguel Ângelo a observar, emocionado, a face dolorosamente contraída do Laocoonte que aos poucos se levanta dos alicerces de Santa Maria Maior. O louco caminhar da memória, num fluir constante, aos saltos, sem barreiras que a tolham. E aos poucos parece-me ouvir a voz cheia e inconfundível de Sophia, naquele seu recitar cadenciado:
O belo rosto dos deuses impassível e quebrado
A noite-loba rondando nas ruínas
A veemência a musa
Colunas e colinas
O bronze a pedra e o contínuo
Tijolo sobre tijolo
A arte difícil e bela da pintura
A música veemente que assedia a alma
O corpo a corpo do espaço e da escultura
Os múltiplos espelhos do visível
A selvagem e misteriosa paixão de Catilina Read the rest of this entry »
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August 7th, 2008
No passado dia 6 de Novembro de 2007, a Ministra grega dos Negócios Estrangeiros, Dora Bakoyiannis, visitou a Sackler Library, em Oxford, onde recebeu, do Prof. Dirk Obbink, o actual responsável pela colecção de papiros aí guardada, informações detalhadas sobre a recuperação, conservação e transcrição destes textos antigos. Não menos curiosas são as dúvidas, colocadas sem pudor, de quem não é especialista mas demonstra um grande interesse pelo assunto. Read the rest of this entry »
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July 28th, 2008

A Arcádia, local edénico, sonhado e perspectivado ao longo dos séculos como o eukosmos natural por excelência, convidativo à música, à meditação, era na realidade uma terra árida e inóspita, o que reforça a construção idealizada que poetisa e ou outros poetas fizeram deste espaço. Não devemos, contudo, confundir com o locus amoenus, cuja construção podemos fazer remontar à tradição homérica, nomeadamente à descrição da ilha de Calipso (Od. V. 63-75) e dos jardins de Alcínoo (Od. VII. 112-132).
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